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20 agosto 2012

Coordenador no MPOG pede demissão após se negar a cortar ponto de grevista

Coordenador no Ministério do Planejamento mantém ponto de grevista e se demite

09/08/2012

Fonte: SEDUFSM

O Coordenador de Inovação Tecnológica do Ministério do Planejamento, César Augusto de Azambuja Brod, se negou a cumprir orientações do governo de cortar o ponto de funcionários em greve e pediu exoneração do cargo na semana passada. Em carta divulgada pelas redes sociais, que também está no site do Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep-DF), Brod alega que não cumpriria uma determinação que feria seus princípios.
Conforme Brod, “o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua.” Em sua carta, ele diz ainda que “como coordenador, jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário”.
A postura assumida pelo ex-coordenador de Inovação Tecnológica recebeu apoio maciço dos servidores vinculados ao setor ao qual ele chefiava. Em nota, os funcionários manifestaram solidariedade através de “carta aberta”. Em um dos trechos eles se referem às determinações governamentais:
 A determinação do governo no corte do ponto dos grevistas agride em sua essência a crença na liberdade de manifestação das pessoas e no direito do trabalhador de reivindicar melhorias em suas condições de trabalho e os consequentes resultados entregues à sociedade por meio dos atos dos servidores públicos federais”. (Leia abaixo, no anexo 2, a íntegra da 'carta aberta')
Foi ressaltado na carta também o fato de que a orientação superior para que seja feito a lista dos grevistas e procedido o desconto no salário contraria decisão do Poder Judiciário, ferindo liminar concedida por juiz da 17ª Vara da Seção Judiciária do DF e mantida pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª região.

Clique aqui para ver esta matéria no site da fentect

Veja a carta de César Augusto de Azambuja Brod:
O PT como patrão
“Orientação sobre a folha de ponto dos servidores em greve. Informo que, seguindo orientação superior do MP, os grevistas deverão ter os pontos cortados, desta forma não deverá constar nenhuma observação na folha de ponta dos servidores que estão de greve e não registraram o ponto. Já aqueles servidores que estão de greve e mesmo assim registraram o ponto deverão ter seus pontos cortados (anulados) já que não trabalharam. Quanto aos servidores que estão trabalhando normalmente e que não puderam trabalhar no dia 5 de julho por causa da greve dos ônibus podem ter seu dia abonado, código 05.”
Sou coordenador geral de inovações tecnológicas do departamento de sistemas de informação da secretaria de logística e sistemas de informação do ministério do planejamento, orçamento e gestão do governo do Brasil. Estou neste cargo desde setembro de 2011. Hoje comunico, publicamente, meu pedido de exoneração.
Todos sabem qual é meu salário graças à Lei de Acesso à Informação. Preciso deste salário e, de fato, tenho orgulho em merecê-lo. Mas a partir do momento em que tenho que ferir meus princípios para manter minha remuneração, meus princípios sempre ganharão o jogo, independente do que virá depois.
Trabalho, há bastante tempo, com o conhecimento livre e modelos de negócios baseados nisso. Em Porto Alegre, no final dos anos 1990, tive o prazer de ver um projeto de governo crescer levando em conta a crença em que a liberdade ampla para todas as formas de conhecimento era um fator gerador de inovação tecnológica e de criação de emprego e renda. Apoiei esse projeto mas nunca integrei nenhum quadro do governo até setembro de 2011, quando assumi o cargo acima mencionado, e passei a ser o responsável pelo Portal do Software Público Brasileiro, pela Infraestrutura Nacional de Dados Abertos, além de outras atividades.
Não foi fácil, vindo da iniciativa privada e há mais de doze anos como empresário, aprender a hierarquia e a burocracia que são parte de um emprego público. Aliás, esse é um aprendizado constante. Mas segui trabalhando com minha paixão: liberdade de conhecimento como geração de inovação e riqueza.
No decorrer de meu trabalho deparei-me com a greve do funcionalismo federal, à qual aderiram muitos dos que estavam sob minha coordenação. Enfrentar uma greve como executivo público foi algo totalmente inédito para mim. Acompanhei greves desde o tempo de meu avô, no surgimento do PT. Toda a articulação para as greves, para a criação de uma força que mudasse o estado, conscientizou uma população que colocou o PT no poder. Mas o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua.
O PT patrão virou governo, melhorou o país e acha que não depende mais da máquina que sustenta o estado. O PT patrão, que fez muito pela nação, tem a certeza de que vai muito bem sozinho. E está indo mesmo!
Eu espero que nosso país siga melhorando, mas estou nele para mudá-lo e não para cumprir ordens com as quais não concordo. Como coordenador, jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário. E, na greve, cultivaram ainda mais sua união na crença da construção de um Brasil melhor.
(César Augusto Brod, responsável pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão).
Cliqueaqui para acessar esta carta (em pdf)

Greve nas Federais: Calendário de reposição de aulas da UnB não será discutido esta semana

Reitor confirma que universidade não está mais em greve, mas datas finais do calendário acadêmico continuam suspensas

Correio Braziliense
Publicação: 20/08/2012 13:23Atualização: 20/08/2012 14:53

O reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Junior, confirmou, nesta segunda-feira (20/8), que os professores não estão em greve, mas as datas finais do calendário acadêmico continuam suspensas. Ele disse que não convocará uma reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) para esta semana para discutir o tema.
“Eu não convoquei a reunião do Cepe ainda porque pode ser que a Universidade volte a ficar em greve. Vou aguardar as decisões da próxima assembleia de docentes”, disse. A reunião do Cepe deve ocorrer apenas na próxima semana, provavelmente em 30 de agosto.

José Geraldo recebeu na reitoria professores que discordam da forma como ocorreu o fim da greve, em votação polêmica na última sexta-feira (17). Ele endossou o abaixo-assinado entregue pelos docentes para que seja feita uma nova assembleia com o objetivo de votar a retomada da paralisação e a destituição da diretoria da Associação dos Docentes da UnB (AdUnB). “A assembleia auto-convocada é um direito democrático e, fazendo uso deste direito, eu também vou assinar a lista”, disse.
Por fim, o reitor fez um apelo aos presentes: "É importante preservar a universidade, ainda mais neste momento de eleições para reitor. É preciso analisar os fatos com cuidado", finalizou.

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Greve nas Federais: Professores da UnB querem anular decisão sobre o fim da greve

Correio Braziliense

Publicação: 20/08/2012 11:45
Atualização: 20/08/2012 16:43

Professores da Universidade de Brasília (UnB) e representantes do comando local de greve se reuniram na manhã desta segunda-feira (20/8) para tentar retomar a greve. A paralisação, que durou quase três meses, terminou na última sexta-feira (17), em decisão polêmica. Segundo os docentes, a decisão pelo fim da greve é legal, mas “politicamente ilegítima”, já que muitos professores não participaram da assembleia extraordinária.
Muitos professores deixaram de dar aula para participar da reunião, que teve início às 9h30 e terminou pouco depois das 11h. Docentes e alunos lotaram o Auditório Dois Candangos, foram cerca de 300 participantes. O objetivo do encontro era propiciar um espaço para que os professores pudessem expressar suas ideias e debater os últimos acontecimentos da greve.

Paralelamente, havia também a proposta de recolher assinaturas de 10% dos associados da Associação dos Docentes da UnB (AdUnB), equivalente a 230 aproximadamente. Com esse percentual, uma assembleia auto-convocada deve ser marcada em até 48 horas. Até o momento, eles recolheram 260 assinaturas no livro que está no auditório e foram deixados outros nos departamentos, que serão recolhidos às 18h.

No encontro foram discutidos sete encaminhamentos para a assembleia auto-convocada. Os principais foram o não reconhecimento da decisão de sexta-feira pelo fim da greve e destituição da direção da AdUnB. O comando local de greve deve se reunir às 18h para debater o que foi discutido hoje com os docentes da universidade. O grupo se encontrou com o 1º secretário da associação, Jaime Martins de Santana, e apresentou os encaminhamentos.

A AdUnB terá até as 16h30 para dar uma resposta. A professora Daniele Nunes, que presidiu a mesa no auditório Dois Candangos, afirmou que espera que “um raio de lucidez caia sobre a AdUnB para que decidam por manter a assembleia de amanhã”. Caso a AdUnB decida que a assembleia, anteriormente marcada para a próxima terça-feira (21/8), não deva ocorrer, os professores vão fazer a assembleia auto-convocada.

Ato duplo

Em ato duplo, docentes e estudantes fizeram uma “marcha murmurante” até a reitoria da universidade para simbolizar que suas vozes estão sendo caladas. Os alunos, que continuam em greve e pretendiam fazer um ato de repúdio à retomada das aulas, se uniram ao protesto dos professores e devem se encontrar às 14h no Ceubinho para discutir os rumos do movimento.

Na reitoria da UnB, os manifestantes se reuniram com o reitor, José Geraldo de Souza Júnior. Ele afirmou que, apesar de a UnB não estar mais em greve, as datas finais do calendário acadêmico continuam suspensas e a reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que aconteceria na próxima quinta-feira (23/8) para validar o novo calendário de aulas, não deve mais ocorrer.

Estudantes

Lucas Brito, do comando local de greve estudantil e aluno de serviço social, conta que os alunos continuam em greve, fato que pode mudar amanhã na assembleia no Teatro de Arena. Lucas reclamou da postura do Diretório Central dos Estudantes (DCE) sobre o fim da greve. “O DCE validou a decisão da assembleia de sexta-feira. Como sempre, o comando de greve estudantil continua as atividades sem o DCE”, reclamou.

As irmãs Elaine Cristina Brandão, 21 anos, e Aline Brandão, 22, estudantes, respectivamente, de educação física e pedagogia, apoiam a continuidade da greve. “Eu acho que foi desonesto o que a AdUnB fez. A greve já prejudicou muito os alunos, então, agora os professores só devem parar com a greve quando conseguirem o que estão reivindicando”. Aline afirma que a greve não traz prejuízos aos alunos: “Não vejo a greve como algo que traz prejuízos para o ensino, pois são reivindicações para melhorar a educação. É um caso complicado e os alunos tem que entender as causas dos professores e acompanhar os fatos”.

O calouro de agronomia Henrique Luiz Pierdona, 16 anos, estava em Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia, com os pais e, quando ficou sabendo do fim da greve na última sexta-feira teve que se apressar para voltar a Brasília. “O pior é que eu posso ter voltado a Brasília à toa se a greve voltar. Todo mundo tem direito de reivindicar, mas eles tem que pensar no lado dos alunos também. Agora voltamos a ter aula do ponto que paramos antes da greve, sem revisão. É um prejuízo muito grande para o aprendizado”.

Confira a agenda do comando local de greve estudantil

20 de agosto - segunda-feira

14h - reunião dos alunos no Ceubinho para decidir as estratégias para a continuidade da greve estudantil

16h - cinegreve no CaLet (Centro Acadêmico de Letras)

21 de agosto - terça-feira

9h - assembleia estudantil no Teatro de Arena
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16 agosto 2012

Greve nas Federais: MEC e MPOG divergem sobre corte de ponto

PARALISAÇÃO - 14/08/2012
MEC e MPOG divergem sobre corte de ponto

Secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação critica exigência feita pelo Planejamento em novo comunicado encaminhado às universidades
Diogo Lopes de Oliveira - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Às vésperas de completar 90 dias, a greve coloca em posições opostas dois órgãos do Governo Federal envolvidos na negociação com os professores. Ao passo que o Ministério do Planejamento pede aos reitores que cortem o ponto, o Ministério da Educação critica a medida.
Em entrevista à UnB Agência, o secretário de Ensino Superior do MEC, Amaro Lins, afirmou que a decisão é prematura. "É cedo para pensar em corte de ponto, porque ainda há servidores federais em greve e estamos negociando uma saída para esse impasse", disse. "Esta não é uma questão do MEC, mas sim do MPOG", afirmou. O secretário acredita que o momento é de construir um novo calendário acadêmico e repor as aulas.
Nesta segunda-feira, 14 de agosto, o Ministério do Planejamento encaminhou às universidades mais uma recomendação de corte de ponto. "Reforçamos os termos do comunica geral nº 552047 e 552048, transmitido em 6 de julho de 2012, que orienta pelo corte de ponto e registro na folha de pagamento referente aos dias parados dos servidores do Poder Executivo Federal por participação em paralisações e/ou greves", diz o documento. Leia íntegra aqui.
A assessora de comunicação do Planejamento, Paula Marquês, informa que o ministério não pode interferir na administração das instituições envolvidas. "Os setores de recursos humanos das universidades encaminham ao Ministério uma folha fechada", explicou. "Por isso, estamos chamando os gestores de órgãos, autarquias e fundações para que cumpram a lei", complementou.
O comunicado do Ministério do Planejamento reforça declaração dada dois dias antes pelo ministro da Advocacia-Geral da União. Luís Inácio Adams afirmou que os reitores que não encaminharem os nomes de professores e técnicos parados responderão por improbidade administrativa. "A lei da greve diz claramente: a situação ‘greve’ implica na suspensão da relação de trabalho; isso significa que o servidor não está obrigado a prestar o serviço e o patrão não está obrigado a pagar", disse Adams em entrevista concedida a Folha de S. Paulo. O reitor José Geraldo de Sousa Junior considerou a medida excessiva. Leia mais aqui.
Procurada pela UnB Agência, a assessoria de imprensa da Advocacia-Geral da União limitou-se a dizer, por e-mail, que o corte de ponto deve estar em primeiro lugar na esfera administrativa. "A responsabilidade dos reitores deverá ser apurada por órgãos como o Tribunal de Contas da União, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público. Constatada a irregularidade, e não resolvida no âmbito administrativo, os órgãos de controle precisam demandar a AGU para que ela atue judicialmente nos casos".

ANDIFES – Nesta quarta-feira, o pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) se reúne para discutir, entre outros temas, a greve. "Nossa preocupação é concluir a paralisação de forma consensual e definir um novo calendário acadêmico”, afirmou Gustavo Balduíno, secretário-executivo da Andifes.
Para Balduíno, a supressão do pagamento dos professores é uma questão complexa, de difícil aplicação, já que os professores não assinam documento de frequência. Além disso, de acordo com o secretário, até o momento existe somente um comunicado administrativo do MPOG sobre a questão.

O jurista Cristiano Paixão, professor da Faculdade de Direito da UnB, afirma que a AGU só poderia fazer as afirmações sobre o corte de ponto dos professores em greve após a judicialização do caso. "Não houve uma leitura adequada da questão: o poder judiciário é a esfera competente para apreciar se o direito de greve, garantido na Constituição, foi exercido de forma adequada", disse.
Paixão explica que, no caso específico da UnB, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região é a instituição responsável por decidir sobre a legalidade da greve. "Cabe ao TRF avaliar como a greve foi convocada, quais as motivações, que setores da universidade pararam ou não", concluiu, acrescentando que, nessas situações, é preciso analisar caso a caso.

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Greve nas Federais: "professor não tem ponto" diz Reitor da UnB

GREVE - 11/08/2012
AGU acusa de improbidade reitores que pagam salários a grevistas
Reitor da UnB considera medida excessiva, afirma que só poderia ser tomada se a Justiça tivesse considerado greve abusiva e esclarece que, ainda que inquestionável, exigência não teria como ser cumprida
Ana Lúcia Moura - Da Secretaria de Comunicação da UnB
O reitor José Geraldo de Sousa Junior definiu como excessiva a medida anunciada pelo advogado-geral da União em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada neste sábado, 11 de agosto. Luís Inácio Adams afirmou que os reitores das universidades federais que não informarem os nomes de professores e funcionários em greve serão responsabilizados por improbidade administrativa. A paralisação nas instituições de ensino superior já dura quase três meses.
O argumento do advogado-geral é que a improbidade estaria acontecendo “porque o desconto é um dever do administrador”. “Não é um direito, não é uma faculdade”, disse na entrevista. Para José Geraldo, a improbidade só poderia ser questionada se a Justiça tivesse definido a situação da greve. “Somente com a questão judicializada, poderia se definir aquilo que é essencial preservar. A definição é o parâmetro para se verificar o que está sendo cumprido ou não pelos reitores”, diz.

José Geraldo explica que a atribuição principal dos reitores é salvaguardar o cumprimento das finalidades das universidades durante a greve, que não se restringem ao ensino. “É preservar a garantia de reposição das aulas, de atribuição dos diplomas, de conclusão das pesquisas, de cumprimento dos acordos realizados, do desenvolvimento de projetos, que são atribuições da atividade docente inseridas em seu desempenho cotidiano que continuam se realizando durante a greve”, afirma. “A atividade dos professores não se resume às salas de aulas, mas inclui a orientação de projetos de pesquisa, de iniciação científica, de extensão, de orientação de trabalhos”, explica.
O reitor esclarece também que, ainda que a exigência de Luís Inácio Adams fosse inquestionável, seria difícil cumpri-la. “Os professores não têm ponto. A atividade docente não é definida pelo número de horas individualizadas, mas pelo produto final. E, ainda que o ponto existisse, é muito difícil verificar quem está trabalhando e quem não está, porque a greve não é algo que seja parte da supervisão administrativa. A greve é uma situação de fato. Então, isso requer investigação, apuração. Ainda assim, é quase uma condição de auto-declaração”, afirma.
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21 julho 2012

Greve nas Federais: Observatório da Imprensa discute a cobertura distorcida da imprensa.



Do "Observatório da Imprensa" sobre o programa:


"Um dos participantes do nosso primeiro programa, em maio de 1998, já se vão quase 15 anos, foi um leitor de Juiz de Fora, estudante de Física, Marcelo França, que escreveu uma carta no falecido Jornal do Brasil criticando a cobertura da imprensa sobre o desabamento do edifício Palace Dois, na Barra da Tijuca. A palavra interatividade ainda não fora inventada, nem o conceito de redes sociais, o programa queria apenas socializar o debate sobre o desempenho da imprensa.


A edição de hoje recorre novamente a um cidadão-telespectador que no dia 29 de junho escreveu à ouvidoria da Tv Brasil uma carta criticando a omissão da mídia diante da greve nas universidades federais e tratada como um "não movimento". Gilberto Ichiara, técnico administrativo da Universidade Federal do Tocantins, critica a mídia pela cobertura monocórdica. Todos repetem que "greve prejudica os alunos" levando a sociedade a acreditar que alunos não querem estudar e os trabalhadores não querem trabalhar.

Nossa imprensa opta pelo simplismo porque não tem profissionais treinados para encarar complexidades. Quantos jornais têm seções especializadas em Educação? Por que a mídia dá tanta atenção às dietas e celulite e quase nenhum espaço à formação de médicos?

Greve nas Federais: "O jornalismo cego às armadilhas do discurso oficial"

Observatório da Imprensa

Sábado, 21 de Julho de 2012 | ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 703

GREVE NAS FEDERAIS

O jornalismo cego às armadilhas do discurso oficial

Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 17/07/2012

O que dizer de um noticiário que dá de manchete exatamente o contrário da informação correta?

Foi o que ocorreu na cobertura da coletiva convocada pelo governo, no fim da tarde de 13 de julho, para anunciar a proposta com a qual pretende pôr fim à greve nas universidades e institutos federais de ensino, que já dura quase dois meses. O noticiário revelou mais uma vez a submissão dos jornalistas às fontes oficiais e a absoluta ausência de apuração própria resultou em matérias que induzem a erro e anunciam o oposto do que a proposta significa. Pois, em vez do alardeado reajuste, os professores terão perda salarial, como se verá. E não apenas isso: o plano de carreira embute armadilhas que, se confirmadas, significarão um retrocesso aos tempos da ditadura.

Comecemos, porém, pelos aspectos mais evidentes da cobertura.

08 junho 2012

Crônica de uma rebelião: A deflagração da greve no Campus da UFG em Goiânia

No texto abaixo, as circunstâncias da deflagração da greve do Câmpus de Goiânia da UFG são narradas pelo professor Jamesson Buarque, coordenador do curso de Letras, testemunha ocular dos acontecimentos. Num ato histórico e admirável, os colegas da UFG, com o apoio discente, se organizaram e fizeram valer a vontade da classe dos professores, a despeito das ações esdrúxulas do sindicato que deveria representá-los. O vídeo acima registra o momento em que a diretoria da ADUFG, após tentar restringir a participação na assembléia apenas aos filiados, e ante os protestos dos docentes e discentes presentes, abandona o local , momento em que a assembléia passa a ser conduzida e deliberada pelo conjunto dos professores presentes, com o apoio dos alunos.(*)

GREVE DEFLAGRADA PELOS DOCENTES E DISCENTES DA UFG-GOIÂNIA

Jamesson Buarque
Em movimento flagrante de desmobilização política, a ADUFg tentou, desde ontem (05/06/12), confundir os docentes da UFG-Goiânia com mudança de local de sua assembléia. Às 21:00 h. o sindicato mudou o local de realização da assembléia acordado para ocorrer hoje, 06/06/12 no IME, para a EMAC. No entanto, ainda hoje (06/06), vários professores receberam mensagens via celular confirmando a assembléia no IME, embora a mesma já tivesse sido alterada para a EMAC. A desmobilização não logrou êxito, e lá estivemos em um gesto histórico para UFG, com mais de 400 docentes e também mais de 400 discentes. Contudo, a ADUFg não se deu por vencida, e vendo o auditório da EMAC lotada e com o ânimo diferenciado de suas intenções, tentou impedir a realização da assembléia.

Quadro das IFES em greve em 06 de junho


Fonte: ANDES-SN
INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO EM GREVE / SEÇÃO SINDICAL
1. Universidade Federal do Amazonas/ADUA
2. Universidade Federal de Roraima/SESDUF-RR
3. Universidade Federal Rural da Amazônia/ADUFRA
4. Universidade Federal do Pará/ADUFPA/SINDUFPA-Marabá
5. Universidade Federal do Oeste do Pará/SINDUFOPA
6. Universidade Federal do Amapá/SINDUFAP
7. Universidade Federal do Maranhão/APRUMA
8. Universidade Federal do Piauí/ADUFPI
9. Universidade Federal Rural do Semi-Árido/ADUFERSA
10. Universidade Federal da Paraíba/ADUFPB
11. Universidade Federal de Campina Grande/ADUFCG/ADUFCG-Patos/ADUC-Cajazeiras
12. Universidade Federal Rural de Pernambuco/ADUFERPE
13. Universidade Federal de Alagoas/ADUFAL
14. Universidade Federal de Sergipe/ADUFS
15. Universidade Federal do Triângulo Mineiro/ADUFTM
16. Universidade Federal de Uberlândia/ADUFU
17. Universidade Federal de Viçosa/ASPUV
18. Universidade Federal de Lavras/ADUFLA
19. Universidade Federal de Ouro Preto/ADUFOP
20. Universidade Federal de São João Del Rey/ADFUNREI
21. Universidade Federal do Espírito Santo/ADUFES
22. Universidade Federal do Paraná/APUFPR
23. Universidade Federal do Rio Grande/APROFURG
24. Universidade Federal do Mato Grosso/ADUFMAT/ADUFMAT-ROO
25. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/ADUR-RJ
26. Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri/SINDFAFEID/ADOM
27. Universidade Tecnológica Federal do Paraná/SINDUTF-PR
28. Instituto Federal do Piauí/SINDIFPI-PI
29. Centro Federal de Educação Tecnológica de MG/SINDCEFET-MG
30. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/APUR
31. Universidade do Vale do São Francisco/SINDUNIVASF
32. Universidade Federal de Goiás (Catalão e Jataí)/ADCAC/ADCAJ
33. Universidade Federal de Pernambuco/ADUFEPE
34. Universidade Federal do Acre/ADUFAC
35. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/ADUNIRIO
36. Universidade Federal do Rondônia/ADUNIR
37. Universidade de Brasília/ADUnB
38. Universidade Federal de Juiz de Fora
39. Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais/APESJF
40. Universidade Federal do Pampa/SESUNIPAMPA
41. Universidade Federal de Alfenas/ADUNIFAL
42. Universidade Federal Fluminense/ADUFF
43. Universidade Federal do Rio de Janeiro/ADUFRJ
44. Universidade Federal de São Paulo/ADUNIFESP
45. Universidade Federal de Grande Dourados/ADUFDOURADOS
46. Universidade Federal de Santa Maria/SEDUFSM
47. Universidade Federal do Tocantins/SESDUFT-SS
48. Universidade Federal da Bahia/APUB
49. Universidade de Integração Latino Americana
50. Centro Federal de Educação Tecnológica do RJ/ADCEFET-RJ
51. Universidade Federal do ABC/ADUFABC